Entre Astros e Raízes

by - março 13, 2025

 Há aqueles que se assemelham a constelações conhecidas: pontos de luz que desenham no céu o mapa do meu próprio pensamento. Adoro a sua familiaridade, a segurança de um caminho já trilhado. Mas amo os que são como florestas encantadas, onde cada folha sussurra perguntas que eu jamais formulei. São alquimistas da alma, transformando os meus "eu acho" em nebulosas desconhecidas, desarrumando os meus conceitos para nascerem novos astros no escuro...

Sonhadores levam-me em asas de tule e algodão-doce, sobre cidades flutuantes. Adoro a leveza dessas viagens. Porém, amo os que me puxam pela mão para dançar descalça na terra húmida, sentindo o pulso do mundo através das raízes. Eles não me vendem quimeras, mas ensinam a ouvir o ritmo das estações, até mesmo quando a música é feita de espinhos e tempestades...!!!

Há os que despertam em mim rios de tinta, versos que correm como sangue. Adoro essa inundação criativa. Masssss amo os que calam a minha voz com um só olhar, deixando-me nua diante do mistério. São arqueólogos do indizível: escavam silêncios onde moram com deuses antigos e encontram, entre os meus vazios, lírios que nunca ousei regar.

Compreendem-me???? 

Simmmm, e é doce ser decifrada. Porém, amo mais os que permanecem à minha beira como faróis em noites insoles, mesmo quando me torno um idioma desconhecido até para mim mesma. Não buscam traduzir os meus hieróglifos, apenas aquecem as minhas mãos geladas com o próprio respirar, provando que a companhia é um dialeto mais antigo que todas as palavras....

Há os que colecionam os meus discursos como pérolas raras. Adoro essa paciência de ouriço-do-mar. Mas amo os que escutam o grito abafado das minhas entranhas, o lamento que não cabe em sílabas e muito menos em metáforas!!!! São jardineiros do invisível, regando as sementes que plantei sem saber no subsolo da alma e um dia, surpresa!!!!! 

Brota uma árvore cujos frutos têm gosto de perdão...

Sim, adoro os espelhos que repetem os meus gestos. Mas amo os que me arrastam para além do meu reflexo, para um carrossel de possibilidades onde até os meus desejos se assustam: "Eu queria isso???? Eu era isto????". São tecelões de realidades paralelas, costurando o meu eu de ontem com o de amanhã numa colcha de retalhos cósmica.

No fim, descubro que o amor verdadeiro não é espelho, nem abrigo. É travessia. É permitir que outro ser humano falho, lunar, cheio de sombras e lampejos, reinvente as suas mãos como bússolas na minha geografia íntima. E assim... sem aviso, eu torno-me: um universo em expansão, um jardim noturno, um poema que se reescreve ao sabor do vento. Tudo porque alguém ousou mostrar-me que há mais vida no caos do que na quietude, mais verdade no desconhecido do que nas respostas e mais magia em amar o que ainda não existe...!!!

E tu és... 

TUDO isso num único ser...

... meu espelho precioso.

Minha outra metade!!!

TilaC




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