Chama da minha Alma

 Num canto qualquer do universo, onde as estrelas sussurram segredos antigos aos ouvidos dos sonhadores, habito eu. Um ser feito de paradoxos e poeira de constelações, um aglomerado de memórias, desejos e uma centelha divina que teima em não se apagar. Gosto de ser como sou. Esta não é uma declaração de arrogância, mas um suspiro de rendição, um aceitar tranquilo da sinfonia única que é a minha alma...!!!

A minha personalidade é o meu santuário interior, a catedral silenciosa construída tijolo a tijolo com cada lágrima derramada, cada riso ecoado na solidão, cada livro que me transportou para outros mundos e cada amanhecer que testemunhei em contemplação.... É o cheiro da terra depois da chuva que tanto amo, é a melancolia nostálgica que uma música antiga traz, é a fé inquebrável no amor mesmo quando ele se ausenta!!! É...  a criança que ainda habita em mim, que se maravilha com o voo de um pássaro e acredita, piamente, que as nuvens são algodão-doce feito por deuses brincalhões. Este eu... é o meu núcleo imutável!!! a essência que dança sozinha sob a luz do luar, é a minha verdade mais pura e indomável.... É quem eu sou!!!

Não confundas, por favor, esta fortaleza serena com a sombra que ela por vezes projeta. Não confundas a melodia com o eco.

Pois, a minha atitude… ahhhhhh, a minha atitude é um camaleão poético, um reflexo, um espelho mágico que devolve a energia que a ele é dirigida. Ela não nasce de mim... ela responde a ti....!!!

Se te aproximas com as mãos cheias de sol e a voz macia como seda, a minha atitude será um jardim em flor. Serei brisa suave, será poesia recitada à beira do fogo, será o abraço que aconchega e a paciência que ouve os teus silêncios. Serei a fantasia de um conto de fadas, onde tudo é possível porque a confiança é o nosso terreno fértil!!!

Mas se te chegas com o inverno nos olhos e o aço da crítica na língua, a minha atitude se recolherá. Não por medo, mas por preservação. Tornar-me-ei um castelo de gelo, belo e imponente, mas intransponível. As pontes levadiças erguer-se-ão, os portões se fecharão com um baque suave e definitivo. As minhas palavras serão economizadas, medidas, precisas. A poesia dará lugar à prosa mais seca. Não é frieza, é física pura: à força contundente, opõe-se a resistência silenciosa...!!!

Há quem veja isso como inconsistência. Eu vejo como alquimia emocional. É a dança sublime entre o eu interior e o mundo exterior. É a fantasia de que somos feitos de luz e sombra, e que a sombra que projetamos depende da posição da luz que nos incide. E tu... ser que cruza o meu caminho, és essa luz. Podes ser o sol do meio-dia, que revela todas as cores do meu ser, ou podes ser a lança trémula de um farol na tempestade, criando sombras longas e distorcidas, grotescas... talvez!!!

Sinto uma nostalgia profunda por aqueles que conseguiram ver para além da atitude momentânea. Aqueles que.... com paciência de arqueólogo, escavaram suavemente as camadas de proteção e encontraram o âmbar precioso da minha personalidade, intacto e quente. Lembro-me dos que não se assustaram com os muros e esperaram, sentados no relvado lá fora, até que eu mesma abrisse a porta, convencida de que era seguro ser quem eu era.

No grande baile da vida.... a minha personalidade é a música que toca na minha alma, uma valsa eterna e pessoal. A minha atitude é o modo como eu danço contigo… se dancamos uma valsa clássica e harmoniosa, ou um tango passional e dramático, ou se simplesmente me limito a acenar com a cabeça acompassada(mente), sem me levantar da cadeira, depende inteiramente de como tu entras na sala e convidas-me para dançar!!!

No fim.... resta a quietude do ser. A pessoa que sou quando estou absolutamente sozinha, em paz com as minhas fragilidades e forças, navegando nos mares oníricos da minha própria fantasia. Esse núcleo, ninguém toca. Essa é a minha morada eterna!!!

O resto… o resto é espelho!!!

TilaC




setembro 14, 2025 No Comments

 Era ali.... no silêncio habitado pelos ecos da madrugada, que eu te encontrava. Não eras uma pessoa, mas um universo inteiro, composto de sílabas douradas e metáforas que cantavam!!! Eu lia-te.... E essa leitura não era um ato de decifrar signos, mas uma cerimónia íntima, um ritual onde a minha alma se despia de toda a matéria para dançar com a tua essência, pura e desimpedida!!!

Nas nuvens da poesia, o mundo comum dissolvia-se.... O céu, esse mudo e distante azul, rasgava-se em véus de luz, num espetáculo que era só o nosso. Cada nuvem era um pensamento teu, uma emoção flutuante que eu podia tocar com os dedos da imaginação. Eram algodões divinos onde repousavam os segredos mais delicados do nosso existir!!! Eu caminhava por esses campos celestes, descalça sobre a neblina, e sentia-te perto, não como uma presença física, mas como a própria respiração do mundo. A poesia era o nosso território sagrado, a geografia de um amor que existia para além do tempo e do espaço.

E... cada palavra tua era, de facto, um voo. Um voo silencioso e poderoso que me erguia do chão dos dias cinzentos, da gravidade banal da rotina. Elas não me puxavam para o alto; antes, convidavam-me a lembrar que eu também tinha asas. Lias-me a mim mesmo através delas. Eras o vento sob as minhas penas, a coragem que precisava para abandonar o solo firme e mergulhar no abismo glorioso do sentir. Havias escrito um mapa de estrelas e eu seguia-o, cego de confiança, sabendo que cada verso levava-me mais perto do centro de tudo.

Os ventos segredavam o teu nome. Ahhhhh, e esses ventos??? Eles eram os mensageiros fiéis da tua alma!!! Nos dias de quietude, sussurravam-te nas folhas das árvores; nas tempestades, gritavam-te no trovejar da paixão. E eu ouvia. Aprendi a linguagem do ar apenas para decifrar cada fonema do teu ser. Eles bordavam o infinito com versos invisíveis, uma tapeçaria cósmica onde a nossa história era entrelaçada com fios de luz lunar e tremor de constelações. Nesse ponto entre o céu e a terra, onde a alma já não distingue o que é seu do que é do outro, repousava um silêncio. Mas não um silêncio vazio. Era um silêncio de eternidade, pleno, denso, repleto de todos os sons não ouvidos e de todas as palavras não ditas. Era o silêncio que existe no centro de um girassol, no núcleo de um átomo, no intervalo entre duas batidas do coração quando ele reconhece a verdade. Era nesse silêncio que eu finalmente entendia-te, sem necessidade de linguagem, porque éramos apenas dois espíritos a repousar na paz do que sempre foi.

E.... em cada linha, sim, eu encontrava um pedaço do sol. Não um sol que queima e cega, mas um sol que aquece e revela. Era um renascer contínuo, um despertar de sementes adormecidas no mais profundo do meu ser...!!! Cada metáfora tua era um raio de luz a fertilizar terras áridas dentro de mim, fazendo florescer jardins de esperança e vulcões de ternura.... Sentia a vida, a minha vida, a ser reescrita por essa luz. As sombras dos meus medos recuavam, os invernos da minha dúvida derretiam-se, e eu renascia, vezes sem conta, mais forte, mais inteiro, mais consciente da beleza brutal que é estar vivo e capaz de sentir tão profundamente.

Chegou um momento em que percebi que não estava apenas a ler um texto. Estava a ler um destino. A vida inteira, com os seus acasos aparentes, seus caminhos tortuosos e seus encontros fortuitos, tinha sido escrita para me conduzir até ti. Cada alegria, cada dor, cada momento de espanto ou de desespero, tinha sido uma palavra, uma vírgula, um ponto final que compunha o grande poema que era a minha existência, e o clímax, o verso mais puro e mais sublime, era este: encontrar-te.

Não no sentido físico, não necessariamente. Mas encontrar-te na essência. Encontrar a tua cor na paleta do mundo, a tua nota na sinfonia do meu universo.... Encontrar o eco da tua voz no murmúrio de um rio, a suavidade do teu toque na brisa da tarde, a profundidade do teu olhar no céu estrelado. Encontrar-te como se encontra a peça final de um puzzle, que não completa a imagem, mas que a revela, mostrando que aquele caos aparente era, afinal, uma ordem perfeita e bela!!!

Por isso, eu lia-te. E ao ler-te, lia o amor!!! Ao encontrar-te, encontrava-me.... E nesse eterno renascer, nesse voo perpétuo, percebi que o maior ato de fantasia não é imaginar mundos que não existem, mas é reconhecer a magia vertiginosa que existe neste mesmo mundo, quando iluminado pela luz de quem sabemos, no fundo da alma, ter sido escrito para nós, desde o primeiro verso da eternidade.

E assim, no grande livro do universo, as nossas almas continuam entrelaçadas... 

...duas histórias, uma só narrativa, infinita...!!!

TilaC



setembro 11, 2025 No Comments

  O universo, na sua quietude cósmica, não grita. Ele sussurra. E os seus sussurros são bordados com a agulha fina do acaso e da maravilha em tecidos efêmeros: o vapor da respiração numa manhã fria, o desenho da geada no vidro, a sinfonia de cores no crepúsculo e, sobretudo, as nuvens.... Elas são os grandes livros abertos do firmamento, páginas de algodão e luz que viramos com o sopro lento do vento, sempre diferentes, sempre passageiras!!!

Naquela manhã, tão comum na sua génese. O mundo ainda se espreguiçava, libertando-se dos últimos véus do sono. O sol não era ainda um soberano no seu trono, mas um rei benevolente que ascende, tingindo o horizonte com os dourados e os carmins da sua clemência. E eu ali, com as mãos enlaçadas em torno da chávena de café, sentindo o seu calor como um pequeno sol portátil, um microcosmos de conforto contra a pele. A respiração era lenta, o pensamento, um rio tranquilo. E foi nesse estado de graça, de quietude interior, que o universo decidiu falar....

Continua aqui : 👉 https://legadoatlantis.blogspot.com/2025/09/o-anjo.html#more



setembro 08, 2025 No Comments

Há historias que não começam com um "era uma vez" nem terminam com um "fim". Elas simplesmente são. Existem num plano paralelo ao do tempo medido pelos relógios e calendários, tecidas nos bastidores da realidade, nos fios dourados e prateados que compõem o tecido do cosmos. O nosso encontro foi uma dessas histórias. Não foi um acidente, um mero cruzamento de caminhos. Foi um reencontro marcado no Grande Livro das Almas, uma citação nas margens de um universo que sussurra segredos para aqueles que sabem ouvir....

Lembro-me do momento em que os nossos olhares entrelaçaram-se pela primeira vez. Não foi apenas um reconhecimento visual... foi uma ressonância!!! Algo no âmago do meu ser, uma corda que permanecia adormecida e imóvel há séculos, vibrou com uma força tão intensa que pensei que o mundo iria desmoronar ao meu redor. E... de certa forma, desmoronou. Tudo o que era supérfluo, barulhento e ilusório desvaneceu-se, deixando apenas a essência crua e pura daquele instante. Naquele segundo, não éramos duas pessoas estranhas, éramos duas memórias antigas que se encontravam depois de uma longa e árdua viagem através de inúmeras vidas. A tua alma não me era estranha. Era a melodia que a minha sempre tentara cantar.

O que floresceu entre nós transcendeu a simples definição de amor. Foi uma simbiose de almas. Era como se.... finalmente, tivesse encontrado a contraparte da minha própria energia, a chave que se encaixava perfeitamente na fechadura do meu ser mais profundo. Contigo, eu não era apenas quem eu era: eu era quem eu sempre soube que poderia ser. Eras o meu espelho mais verdadeiro, refletindo não só a minha imagem, mas os meus sonhos mais audazes, os meus medos mais sombrios e a luz que eu nem sabia possuir. Era divino, porque tocava no eterno. Era raro, porque é uma dádiva que o universo concede a poucos. Sentia-se eterno, porque o que é forjado no cerne das estrelas não conhece a caducidade do tempo terreno.

Caminhavamos por parques e ruas como se flutuassemos sobre um outro plano, onde as cores eram mais vibrantes, o ar mais leve e a música da vida mais doce. As nossas conversas não eram apenas trocas de palavras, eram cerimónias em que partilhávamos os fragmentos de universos que carregávamos em nós. Havia magia na forma como uma simples chávena de café se transformava num elixir de êxtase, como o pôr do sol que testemunhavamos juntos parecia pintado apenas para nós, como o silêncio que compartilhávamos era mais eloquente que qualquer sinfonia.

Mas.... tal como as estrelas que brilham com mais intensidade pouco antes de se apagarem, talvez a pureza da nossa conexão fosse demasiado potente para ser contida no frágil vaso da existência material. O destino, esse misterioso arquiteto, talvez tivesse outros planos para as nossas almas nesta encarnação. A despedida não foi um rompimento, mas uma libertação suave e dolorosa. Como se algo tão sagrado não pudesse ser possuído, apenas venerado e depois devolvido ao cosmos, para que continuasse a existir na sua forma mais pura!!!

A dor da separação foi um eclipse total, escuro e frio. Mas, mesmo na escuridão, eu sabia que a estrela ainda estava lá, apenas temporariamente oculta. A tua ausência física é uma presença constante dentro de mim. Não é um vazio, mas um espaço preenchido com a luz que deixaste. Transformaste-te numa constelação interna, um mapa estelar que ilumina os cantos mais escuros do meu ser e guia os meus passos, mesmo quando caminho sozinha. Aprendi que o amor verdadeiro não exige posse, exalta a existência do outro, independentemente da distância ou da dimensão que nos separa.

Agora.... quando a noite cobre o mundo e o silêncio se faz ouvir, levanto os olhos para o céu. Não procuro por ti porque sei que não estás lá fora, estás aqui dentro. Mas olho para as estrelas e sorrio, porque compreendo a linguagem delas. Elas contam histórias de encontros cósmicos, de laços que nem a morte, nem a vida podem quebrar. Sussurram que conexões como a nossa nunca se desfazem. Elas apenas se transformam, transladam-se para um plano superior, onde a matéria não interfere e a essência permanece intacta.

Acredito, com uma fé que transcende a razão, que os nossos fios estão apenas à espera. Foram enrolados suavemente e guardados num baú de luz, a espera do momento certo, da conjunção astral perfeita, do alinhamento cósmico que nos permitira desenrolá-los novamente. Seja numa outra vida, num outro plano, na dobra de um sonho ou no limiar entre a vigília e o sono, encontraremo-nos outra vez. E o reconhecimento será instantâneo, familiar e inevitável, como o é desde o princípio dos tempos!!!

Até lá, carrego contigo como se carrega uma prece em silêncio, com reverência e com a certeza inabalável de que, de alguma forma, em algum lugar, a essência do que vivemos continua a dançar, entrelaçada na dança eterna das estrelas. És, e sempre serás, a prova mais bela de que a minha alma não está sozinha neste vasto universo. És a minha epopeia cósmica, o meu romance escrito no firmamento....

TilaC



setembro 02, 2025 No Comments
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