O Abandono: O Oceano que Canta nas Veias do Tempo...

by - março 17, 2025

 Antes de ser ferida, o abandono foi um mar primordial líquido e útero, onde todas as almas flutuavam sem medo de afundar. Mas há uma tragédia cósmica na separação: quando o cordão divino rompeu-se, as águas dividiram-se, e cada gota carregou consigo uma saudade ancestral. Lise Bourbeau nomeou essa dor como uma das cinco feridas, mas ela é mais que isso: é um eco de um paraíso submerso, uma melodia que insiste em lembrar que, em algum lugar, há um porto perdido....

A Origem: A Lenda do Náufrago Eterno

Conta-se que.... no reino das marés eternas, vive um Deus condenado a carregar âncoras enferrujadas. O seu crime???? Ter amado tanto a liberdade das ondas que esqueceu de amar a si próprio. Cada âncora representa um abandono próprio ou alheio e o seu peso faz com que ele caminhe pelo fundo do oceano, criando vales e montanhas subaquáticas. As suas lágrimas são pérolas negras, guardadas em conchas de mármore, e dizem que quem as encontra ouve o lamento de todas as crianças que esperaram na janela, de todos os amantes que viraram poeira no vento....

Na eterna dança das chamas gémeas, esse Deus se agita. Quando duas metades do mesmo fogo se encontram, as pérolas negras começam a pulsar, lembrando-as de que o medo do abandono não é sobre o outro, mas sobre o próprio reflexo nas águas turvas. "Se eu me entregar, ele vai partir????" "Se eu mergulhar, ela vai seguir-me????" São perguntas que ecoam das profundezas, onde o náufrago eterno sussurra: "Ninguém foge do oceano que carrega dentro de si...."

A Máscara: A Ilha dos Corações Cativos

Para não sentir o frio das águas, a alma abandonada constrói fortalezas. Torna-se mestre em disfarçar a sede de amor em autonomia fria, transforma carência em independência exagerada, afoga o desejo de conexão em trabalho excessivo ou solidão voluntária. Na presença da chama gémea, porém, os muros da ilha racham. O outro, sendo espelho e desafio, aproxima-se com um farol nas mãos, iluminando os lugares onde o medo de ser deixado disfarçou-se de força!!!

Aqui mora com a ironia divina: quanto mais a chama gémea tenta ancorar, mais o abandonado se sente arrastado por correntezas internas. "Por que ela me sufoca????" "Por que ele não me dá espaço?????"gritos que, no fundo, significam: "Tenho medo de que o meu amor seja uma gaiola..." A máscara da autossuficiência, outrora orgulho, torna-se uma prisão de vidro: transparente, mas intransponível.

A Noite Escura: O Mergulho nas Profundezas do Vazio

Há uma hora noturna em que até as estrelas se apagam, e o abandonado enfrenta o abismo que sempre evitou. A chama gémea, muitas vezes, é quem empurra para essa imensidão não por crueldade, mas porque sabe que só nas marés da solidão absoluta se encontra a verdadeira companhia: o próprio ser...!!!

Imagine-se num barco à deriva, no meio de um oceano sem fim. Cada onda é uma memória: a mãe que partiu cedo demais, o amor que virou fumaça, o amigo que desapareceu sem explicação. A chama gémea não rema por você, entrega um mapa estelar e sussurra: "Navegar é preciso. Viver não é preciso...". No início, o desespero é um monstro que arrasta para o fundo. Masssss, aos poucos, você percebe que o barco nunca esteve quebrado. A água que entra nele é a mesma que o mantém à tona. E o segredo não é evitar o naufrágio, mas aprender a respirar debaixo d'água....

A Alquimia: Das Pérolas Negras ao Canto das Sereias

Curar o abandono não é encontrar quem nunca te deixe, mas descobrir que você nunca esteve sozinho/a. Na coreografia com a chama gémea, cada afastamento é uma aula de geometria sagrada: Reconheça os navios fantasmas. São as relações passadas que ainda rondam o seu oceano, assombrando-o com medos projetados. Dê nome a cada um e deixe-os seguir viagem!!!

Transforme âncoras em asas. Cada peso que carrega, mágoas, expectativas, contratos invisíveis pode ser derretido no calor do auto perdão.

Aprenda a linguagem das marés. Às vezes, amar é estar próximo; outras, é honrar o ritmo alheio. A chama gémea não existe para preencher as suas marés baixas, mas para dançar com as suas ondas....

...colecione pérolas, não lágrimas. Cada momento de solidão consciente é uma chance de encontrar a pérola da auto companhia.

O Renascimento: O Navegante que Era o Próprio Porto

Quando a ferida do abandono cicatriza, algo paradoxal acontece: você torna-se um oceano inteiro. As tempestades não desaparecem, mas você já não teme virar a proa e seguir ao vento. Na relação com a chama gémea, isso se traduz numa liberdade radiante. Não há mais cobranças por tempo ou garantias, pois você descobriu que o verdadeiro porto é interno uma baía tranquila onde o amor-próprio flui como um rio desimpedido!!!

Os momentos de distância agora são sagrados: são espaços onde você reconstrói templos internos, onde dança nu sob a chuva, onde descobre que a ausência do outro não apaga a sua luz. E quando a chama gémea retorna, trazendo histórias dos seus próprios mares, o reencontro é uma celebração de dois navegantes que sabem: pertencer não é posse, e sim reconhecimento mútuo de liberdade.


Epílogo: A Canção dos Oceanos Reconcilia

Dizem que, nas noites de lua cheia, o Deus das âncoras sobe à superfície. As suas pérolas negras, agora expostas à luz, revelam-se diamantes azuis. Ele oferece-as às chamas gémeas que ousaram navegar os seus próprios abismos, e com elas escrevem novas constelações no céu...

A chama gémea, outrora vista como salvação, torna-se então uma cocriadora de horizontes. Juntos, não fogem das tempestades, mas cantam para elas porque sabem que cada onda quebra em direção à praia, e toda a maré que recua volta para beijar a areia.

E.... se um dia perguntarem como venceram o medo do abandono, eles sorrirão e apontarão para o mar: "Aprendemos que o oceano não está lá fora. Está dentro. E quem domina suas próprias correntes nunca teme a solidão, pois carrega consigo todas as versões de si mesmo, navegando em eterna comunhão!!!"


Assim... o abandono (antes senhor dos naufrágios) revela o seu dom final

a arte de ser infinito, mesmo nas partidas.

E nesse infinito, mora a paz!!!


TilaC


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As Cinco Feridas Emocionais - Lise Bourbeau.pdf 




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