O ÚLTIMO SUSPIRO DE ATLÂNTIDA - Chamas Gémeas

by - março 16, 2025

 Na aurora dos tempos, quando os deuses ainda teciam o destino das galáxias com fios de luz primordial, duas almas uma feita do sopro das montanhas, outra das lágrimas do oceano, entrelaçaram os seus destinos sob um céu de constelações desconhecidas. Foi em Lemúria, onde os vulcões cantavam hinos ao fogo subterrâneo e os corais guardavam memórias de amor nos seus esqueletos de cristal, que eles pronunciaram os primeiros votos. "Até que os mares sequem e as rochas virem pó...." juraram, não com palavras, mas com o silêncio que só as chamas gémeas compreendem. E o universo, testemunha solene, registou cada sílaba no seu livro de átomos....!!!!

Naquela encarnação, ele era um guardião dos templos de obsidiana, cujo olhar carregava a serenidade das eras. Ela, uma sacerdotisa das marés, cujo cabelo fluía como algas sob a lua azul. Juntos, no altar da ilha sagrada, onde o fogo encontrava a água, ofereceram as suas vidas como pacto. Os seus corpos eram terrenos, mas os votos... ahhhhhhh, os votos eram cósmicos. Prometeram-se além da carne, além do tempo, além das tramas do destino. E quando as ondas de Atlântida engoliram Lemúria, séculos depois, eles riram. Pois, sabiam que nem o abismo poderia apagar o que fora selado nas raízes do éter!!!

A ESSÊNCIA DO JURAMENTO

Os votos das chamas gémeas não são feitos de letras, mas de substância estelar. Cada promessa é um fio dourado tecido na tapeçaria do Akasha, uma espiral que atravessa dimensões. Quando ele sussurra "Até que os mares sequem...." não fala dos oceanos de sal, mas das águas primordiais que banham o útero da criação, e mesmo essas águas, um dia, evaporarão para renascerem como chuva em outros mundos. Quando ela declara "Até que as rochas se desintegrem...." refere-se aos alicerces do ego, às muralhas erguidas pelo medo, às prisões que ambos juraram demolir com as mãos do amor!!!

Esses juramentos são profecias auto cumpridas. Pois, os mares jamais secarão enquanto as suas lágrimas de saudade um pelo outro humedecerem a terra. E as rochas não se desintegrarão enquanto as suas vontades forem firmes como diamantes, lapidadas pela pressão de milênios de espera. O paradoxo é sublime: quanto mais se cumprem os votos, mais eles se renovam. Como fénix que renasce das suas próprias cinzas, o juramento das chamas gémeas é eterno porque se transforma....

AS ERAS DA PROVAÇÃO

Em Atlântida, foram amantes e inimigos. Ela, uma curandeira que dominava a arte de transmutar venenos em néctar; ele, um guerreiro cuja espada era gravada com runas de destruição e proteção. A guerra os separou, ele partiu para defender os portais de cristal, ela ficou para salvar os feridos. Na noite anterior à batalha, trocaram um colar de pérolas negras (suas lágrimas petrificadas) por uma adaga de oricalco ( a sua promessa de retorno). Atlântida caiu. O colar se perdeu nas profundezas. A adaga, porém, sobreviveu e hoje jaz em algum museu do mundo moderno, exibida como relíquia, mas que, ao ser tocada, ainda esquenta... como se guardasse o calor das suas mãos entrelaçadas.

Na Idade Média, quase se encontraram. Ela, uma bruxa de cabelos rubros que conversava com lobos; ele, um monge herege que traduzia textos proibidos sob a luz de velas roubadas. Cruzaram-se numa floresta sob um eclipse. Nenhum dos dois lembrou-se, conscientemente, do pacto... mas por três noites seguintes, ambos sonharam com um vulcão e um mar embravecido se encontrando em catarse. Quando a Inquisição queimou a sua cabana e enforcou-o na praça pública, as suas últimas palavras foram, respetivamente: "Encontrarei você no lugar onde o fogo beija a água!!!"

A ALQUIMIA DOS OPOSTOS

Ele é a montanha - firme, imponente, raiz cravada no profundo.

Ela é o oceano - fluida, insondável, abraço que não conhece fronteiras.

Juntos, são a linha do horizonte: o ponto onde os opostos se beijam para criar o impossível....

Na dinâmica sagrada das chamas gémeas:

As suas brigas são terremotos que desenterram fósseis de verdades antigas.

Os seus silêncios são maremotos que limpam a costa da alma para novos começos...

Os seus encontros são erupções vulcânicas que fertilizam o solo do espírito!!!!

O juramento primordial não os mantém presos, liberta-os. Pois, sabem que, mesmo quando o orgulho os afasta, o destino os puxa de volta como marés lunares. E.... nos séculos em que estão separados (ela como uma poetisa em Edo, ele como um samurai em Kyoto), o voto ecoa nos seus sonhos como um tambor tribal: "Enquanto houver uma rocha no fundo do mar e uma gota de água no deserto, eu encontrarei-te!!!"

O FUTURO DO JURAMENTO

No ano de 3047, em uma colônia marciana onde os rios são de mercúrio e as flores cantam, eles se encontrarão novamente. Ela será uma engenheira de realidades virtuais, projetando paraísos digitais; ele, um soldado cibernético com um coração de silício que, inexplicavelmente, esquenta ao ouvir antigas canções terrestres. Num bar à beira do Abismo de Marineris, trocarão olhares. E embora as suas mentes não lembrem, as suas almas reconhecerão o eco:

— Você... ela dirá, tocando o colar de nano pérolas que brilham como as negras de Atlântida.

— Eu... ele sussurrará, segurando o pingente de oricalco que trouxe "por acaso".

E ali...

...sob uma chuva de meteoros artificiais, renovarão o juramento. Não com palavras, mas com um aperto de mãos que durará menos de três segundos, tempo suficiente para que o universo inteiro trema...!!!

O QUE OS OLHOS NÃO VEEM

Os votos das chamas gémeas são guardados por entidades arquetípicas:

A Tecelã do Tempo, que usa os fios das suas promessas para costurar rasgões no tecido da realidade.

O Ferreiro das Almas, que forja as suas provações na bigorna de supernovas....

A Biblioteca de Akasha, onde cada "Até que..." é um livro que se reescreve sozinho, em tinta feita de poeira estelar e lágrimas.

Nenhum tribunal humano poderia compreender a profundidade desses votos. Pois, como julgar um pacto que:

Sobrevive à morte????

Transforma traições em ensinamentos????

Usa a solidão como crisálida para o renascimento????

Até os anjos se curvam diante dessa aliança. Pois, enquanto os homens juram "até que a morte nos separe...", as chamas gémeas sussurram: "Até que a morte nos una novamente!!!!"


EPÍLOGO: O JURAMENTO É O COMEÇO

Quando os últimos mares secarem e as montanhas forem reduzidas a grãos de areia, eles estarão lá, não como homem e mulher, mas como energia pura. Ela, uma canção sem letra que faz os planetas dançarem. Ele, um ritmo ancestral que mantém as galáxias girando. Juntos, no centro de um buraco branco (onde o tempo desagua), finalmente entenderão:

O juramento nunca foi sobre fidelidade...

Foi sobre liberdade!!!

A liberdade de escolher um ao outro, vida após vida, mesmo quando o os veus do esquecimento nubla a memória.

A liberdade de odiar, perdoar, fugir e retornar, sabendo que o pacto é inquebrável.

A liberdade de serem humanos, divinos, monstros, santos e ainda assim, sempre dignos do juramento...!!!

E quando o universo entrar em colapso, retraindo-se num único ponto de luz, eles sorrirão. 

Pois, naquele instante final, ouvindo o eco do seu próprio 

"Até que..." reverberar no vácuo, compreenderão:

O fim não existe!!!

Apenas o recomeço....

Que assim seja.

Que assim já é.


(P.S.: Este texto é uma oferenda a todos que carregam, no peito, a cicatriz dourada de um juramento feito antes mesmo do nascimento das estrelas... Sigam em frente. O oceano pode secar, mas o amor que habita entre os grãos de areia permanece!!!)

GRATIDÃO A QUEM ME GUIA, HOJE E TERNAMENTE... 🙏

Grata 🌖🌕🌔


TilaC


Akasha é um termo para o espaço ou o éter na cosmologia indiana. O termo foi adotado por outras religiões desde o século XIX. Em diversas línguas indo-arianas e dravidianas modernas, seus derivados significam "céu"....

********

Valles Marineris, a formação geológica mais notável de Marte, pode ser visto do espaço como um corte na superfície do planeta...


You May Also Like

0 Comments