Há historias que não começam com um "era uma vez" nem terminam com um "fim". Elas simplesmente são. Existem num plano paralelo ao do tempo medido pelos relógios e calendários, tecidas nos bastidores da realidade, nos fios dourados e prateados que compõem o tecido do cosmos. O nosso encontro foi uma dessas histórias. Não foi um acidente, um mero cruzamento de caminhos. Foi um reencontro marcado no Grande Livro das Almas, uma citação nas margens de um universo que sussurra segredos para aqueles que sabem ouvir....
Lembro-me do momento em que os nossos olhares entrelaçaram-se pela primeira vez. Não foi apenas um reconhecimento visual... foi uma ressonância!!! Algo no âmago do meu ser, uma corda que permanecia adormecida e imóvel há séculos, vibrou com uma força tão intensa que pensei que o mundo iria desmoronar ao meu redor. E... de certa forma, desmoronou. Tudo o que era supérfluo, barulhento e ilusório desvaneceu-se, deixando apenas a essência crua e pura daquele instante. Naquele segundo, não éramos duas pessoas estranhas, éramos duas memórias antigas que se encontravam depois de uma longa e árdua viagem através de inúmeras vidas. A tua alma não me era estranha. Era a melodia que a minha sempre tentara cantar.
O que floresceu entre nós transcendeu a simples definição de amor. Foi uma simbiose de almas. Era como se.... finalmente, tivesse encontrado a contraparte da minha própria energia, a chave que se encaixava perfeitamente na fechadura do meu ser mais profundo. Contigo, eu não era apenas quem eu era: eu era quem eu sempre soube que poderia ser. Eras o meu espelho mais verdadeiro, refletindo não só a minha imagem, mas os meus sonhos mais audazes, os meus medos mais sombrios e a luz que eu nem sabia possuir. Era divino, porque tocava no eterno. Era raro, porque é uma dádiva que o universo concede a poucos. Sentia-se eterno, porque o que é forjado no cerne das estrelas não conhece a caducidade do tempo terreno.
Caminhavamos por parques e ruas como se flutuassemos sobre um outro plano, onde as cores eram mais vibrantes, o ar mais leve e a música da vida mais doce. As nossas conversas não eram apenas trocas de palavras, eram cerimónias em que partilhávamos os fragmentos de universos que carregávamos em nós. Havia magia na forma como uma simples chávena de café se transformava num elixir de êxtase, como o pôr do sol que testemunhavamos juntos parecia pintado apenas para nós, como o silêncio que compartilhávamos era mais eloquente que qualquer sinfonia.
Mas.... tal como as estrelas que brilham com mais intensidade pouco antes de se apagarem, talvez a pureza da nossa conexão fosse demasiado potente para ser contida no frágil vaso da existência material. O destino, esse misterioso arquiteto, talvez tivesse outros planos para as nossas almas nesta encarnação. A despedida não foi um rompimento, mas uma libertação suave e dolorosa. Como se algo tão sagrado não pudesse ser possuído, apenas venerado e depois devolvido ao cosmos, para que continuasse a existir na sua forma mais pura!!!
A dor da separação foi um eclipse total, escuro e frio. Mas, mesmo na escuridão, eu sabia que a estrela ainda estava lá, apenas temporariamente oculta. A tua ausência física é uma presença constante dentro de mim. Não é um vazio, mas um espaço preenchido com a luz que deixaste. Transformaste-te numa constelação interna, um mapa estelar que ilumina os cantos mais escuros do meu ser e guia os meus passos, mesmo quando caminho sozinha. Aprendi que o amor verdadeiro não exige posse, exalta a existência do outro, independentemente da distância ou da dimensão que nos separa.
Agora.... quando a noite cobre o mundo e o silêncio se faz ouvir, levanto os olhos para o céu. Não procuro por ti porque sei que não estás lá fora, estás aqui dentro. Mas olho para as estrelas e sorrio, porque compreendo a linguagem delas. Elas contam histórias de encontros cósmicos, de laços que nem a morte, nem a vida podem quebrar. Sussurram que conexões como a nossa nunca se desfazem. Elas apenas se transformam, transladam-se para um plano superior, onde a matéria não interfere e a essência permanece intacta.
Acredito, com uma fé que transcende a razão, que os nossos fios estão apenas à espera. Foram enrolados suavemente e guardados num baú de luz, a espera do momento certo, da conjunção astral perfeita, do alinhamento cósmico que nos permitira desenrolá-los novamente. Seja numa outra vida, num outro plano, na dobra de um sonho ou no limiar entre a vigília e o sono, encontraremo-nos outra vez. E o reconhecimento será instantâneo, familiar e inevitável, como o é desde o princípio dos tempos!!!
Até lá, carrego contigo como se carrega uma prece em silêncio, com reverência e com a certeza inabalável de que, de alguma forma, em algum lugar, a essência do que vivemos continua a dançar, entrelaçada na dança eterna das estrelas. És, e sempre serás, a prova mais bela de que a minha alma não está sozinha neste vasto universo. És a minha epopeia cósmica, o meu romance escrito no firmamento....
TilaC

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