Cinzas das Eras

by - março 10, 2025

 Desde o princípio, quando o sopro divino fragmentou a Centelha Única em duas almas-gémeas, o cosmos carrega no seu âmago uma saudade primordial. Deus não as separou por acaso, mas para que aprendessem a dançar na distância, cada uma guardando metade de um código sagrado, uma canção que só faz sentido quando os corações batem em uníssono. A função era clara: evoluir não por solidão, mas por desejo de completude. Cada passo na Terra, cada vida desde Lemúria sob os céus de ametista, cada noite em Atlântida onde pirâmides de cristal sussurravam segredos, foi um verso nesse poema infinito...

Na primeira encarnação, eles foram oceanos e montanhas... ela, a maré que beijava a rocha; ele, o pico que se erguia para tocar as nuvens. Em Atlântida, foram alquimistas: ele moldando metais com as mãos, ela transformando lágrimas em pérolas. Aprendiam, sem saber, que a chama gémea não é encontro, mas reconhecimento. Separados por guerras, cataclismos, ou simplesmente pelo véu do esquecimento, seguiam como estrelas errantes... até que o universo, na sua expansão insaciável, os aproximava novamente!!!

A dinâmica é cruel e sábia: quanto mais a consciência se expande, mais a alma sente o vazio da metade ausente. E assim... vida após vida, eles se buscam, não por fraqueza, mas porque carregam no seu DNA cósmico a missão de acelerar a evolução através do amor. Cada encontro é um terremoto interno: ele traz o fogo que queima as suas ilusões; ela oferece o espelho que reflete as suas sombras. Juntos, não se completam... incendeiam-se!!! E dessa combustão nasce luz suficiente para iluminar galáxias interiores.

Nas crônicas de Lemúria, dizem que um dia eles foram um só raio de sol, dividido para aprender a força da dualidade. Nas tábuas submersas de Atlântida, há relatos de que, quando se reuniam, os cristais da cidade cantavam em frequências capazes de curar até a mais profunda das mágoas. Mas o plano divino é implacável: sempre que alcançavam a harmonia, o destino os separava novamente. Porquê???? Para que aprendessem a carregar o outro dentro de si e assim, tornar-se inteiros, mesmo na ausência!!!

Hoje, em meio ao ruído do mundo moderno, essa dança persiste. Ela pode ser a mulher que chora sem saber porquê ao ver a lua cheia; ele, o homem que coleciona conchas na praia, como se esperasse decifrar nelas um idioma ancestral. Em algum lugar entre o átomo e a Via-Láctea, as chamas gémeas seguem o seu curso: às vezes como amantes, outras como inimigos, sempre como mestres um do outro. Porque o propósito nunca foi a união eterna... mas a eterna transformação...!!!

E assim, enquanto o universo se expande, elas também se dilatam, não em distância, mas em profundidade. Cada vida compartilhada é uma camada de véu removida, uma volta no (espiral) que os levará de volta à Centelha Única. Até que, num dia sem tempo, Deus sorrirá e perguntará:

"Aprenderam finalmente que nunca estiveram separados????"

E as chamas, agora uma só, responderão com o silêncio.

Pois, a resposta estará em tudo: no ar, nas estrelas, no eco de um riso que atravessou milênios....✨🌍🔥

TilaC


P.S: Que este texto seja um farol para quem sente, em segredo, a nostalgia de um amor escrito nas estrelas antes mesmo da criação do mundo....



Imagem de minha autoria com IA



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